Como se defender de uma acusação baseada na Lei Maria da Penha?​

Agir rápido é fundamental para quem acredita estar sofrendo uma acusação injusta ou exagerada.

Escrito por Dr. Miquéias Martins – 01/12/2025

Receber uma acusação baseada na Lei Maria da Penha é uma das situações mais difíceis que um homem pode enfrentar. Muitas vezes, a acusação acontece em um momento de ruptura, desentendimento ou desgaste emocional do casal — mas os efeitos jurídicos aparecem imediatamente, mesmo quando o fato não ocorreu da forma como foi narrado.

Homens que jamais responderam a qualquer processo se veem, de um dia para o outro:

  • Afastados do próprio lar

  • Impedidos de falar com seus filhos

  • Proibidos de se aproximar da ex-companheira

  • Sem entender o que foi contado na delegacia

  • Sem saber como provar sua inocência

  • E muitas vezes carregando uma acusação que sabem que não é verdadeira

É justamente nesses momentos que muitos cometem o maior erro: ficar parados, tentando “esperar a poeira baixar”.

Só que o processo não espera.

E o silêncio, a falta de orientação ou a tentativa de resolver sozinho podem ser interpretados como indiferença ou até como indício de culpa.

Por isso, entender o que está acontecendo — e agir rápido — é fundamental para quem acredita estar sofrendo uma acusação injusta ou exagerada.

Quando a acusação não corresponde à realidade

A Lei Maria da Penha é uma das legislações mais importantes do país. Mas, como toda lei, pode ser mal interpretada ou utilizada de forma incorreta.

E quem alerta isso não são apenas advogados — são juízes especializados na área.

A Juíza Rosa Mendonça, titular do Juizado de Violência Doméstica de Fortaleza, afirmou:

“Algumas mulheres dizem que foram ameaçadas quando, na verdade, não foram. Às vezes a violência efetivamente não ocorreu; elas só querem uma separação rápida.”

E reforçou:

“A lei não pode ser usada com irresponsabilidade. Não adianta a mulher falsear a verdade, dizer que foi ameaçada ou se autolesionar. Quando isso ocorre, eu abro processo de denunciação caluniosa.”

Essas palavras mostram algo importante:
o sistema não é cego.

A Justiça reconhece que existem casos em que a lei é utilizada de forma indevida.

E, quando isso acontece, o homem tem direitos — e deve exercê-los desde o início.

Quando a acusação vira crime: Denunciação Caluniosa

O Código Penal é claro:

Art. 339 – Denunciação Caluniosa

Dar causa à instauração de investigação ou processo imputando crime a pessoa que sabe ser inocente.

Pena: reclusão de 2 a 8 anos + multa.

Ou seja:

  • Se alguém cria uma narrativa falsa

  • Se distorce os fatos de forma consciente

  • Se imputa ameaça ou agressão que não ocorreu

  • Se induz o Estado a abrir um inquérito contra alguém inocente

Isso é um crime.

E mais:

A ação penal é pública incondicionada. O Ministério Público pode agir mesmo sem vontade da suposta vítima.

Você deve agir antes que o processo avance

O maior erro dos homens injustamente acusados é esperar.

Enquanto você espera:

  • O inquérito avança
  • A narrativa inicial vira “verdade” no papel
  • Testemunhas são ouvidas sem contraditório
  • A versão da acusação se fortalece
  • A medida protetiva permanece ativa
  • E você fica cada vez mais vulnerável juridicamente.

 

Por isso, se você sabe que está sendo acusado injustamente — parcial ou totalmente — é fundamental:

  • Organizar provas
  • Reconstruir os fatos
  • Formalizar sua versão corretamente
  • Acompanhar o inquérito de perto
  • Evitar qualquer erro que possa ser usado contra você
  • Receber orientação técnica ANTES de qualquer audiência

 

Esse é o ponto onde a maioria dos processos se define.

Não é na audiência.
É antes dela.

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